sábado, 2 de fevereiro de 2013

MINHA POSSE NA ACADEMIA MAÇÔNICA DE LETRAS DO ESTADO DO CEARÁ -.AMLEC






"Este país não tem memória.
Alguém sabe quando morreu Chico Alves?
É por isso que quero ser cremado:
pra ninguém fazer xixi na minha campa"
Nelson Gonçalves
Nelson nasceu Antonio Gonçalves, em 01 de junho de 1919, na  cidade de Santana do Livramento, RS. Seus pais, imigrantes Portugueses, tinham acabado de chegar ao Brasil pelo Rio de Janeiro, indo então para o Rio Grande do Sul. Quanto Tonico fez seis dias de vida mudaram-se para São Paulo, estabelecendo-se no Brás.
Pouco chegado ao trabalho, seu Manuel, o pai de Tonico, tocava violino em feiras-livres se fingindo de cego para arrecadar alguns trocados, enquanto o filho, com 6 anos de idade cantava empoleirado em cima de um caixote.
Gago, o garoto ganhou logo o apelido de Metralha, pois falava cuspindo as palavras como uma metralhadora. Durante esse tempo foi jornaleiro, engraxate, mecânico, polidor e tamanqueiro. E é com o apelido de Metralha que muda-se para Taubaté e se torna boxeur. Com 17 anos recebe a faixa de Campeão Paulista dos Meio-Médios, após vencer 24 lutadores por nocaute e ter perdido apenas duas vezes, por pontos. Foi então estudar canto acadêmico por seis anos com o maestro Bellardi, que lhe explicou que não era gago, era taquilárico (do grego takimós: respiração curta, acelerada). E foi o maestro que lhe aconselhou a ser cantor popular.
Como Antonio não era um nome sonoro, os amigos do Brás lhe sugeriram Nelson, mais melodioso. Fez um teste e foi reprovado - na hora de cantar a voz não saia, e Nelson emudeceu. Na semana seguinte nova tentativa, dessa vez um sucesso, cantando a mesma música que tentara na semana anterior, Chora Cavaquinho, de Dunga. Contratado pela PRA-5 casa-se com Dona Elvira Molla, com quem tem dois filhos. Com a guerra, a rádio promove cortes em massa, e Nelson perde o emprego, indo trabalhar como garçom.
Decide tentar a sorte no Rio de Janeiro, onde é reprovado sucessivamente em diversos programas, inclusive por Ary Barroso, que o aconselha a voltar para São Paulo e para a vida de garçom. Arrasado, ele volta a São Paulo, onde consegue um convite para gravar uma valsa de Orlando Monella e Oswaldo França, Se Edu Pudesse um Dia. Com a prova da gravação volta até o Rio e mostra o trabalho na RCA Victor. Foi contratado.
Daí para o estouro foi um minuto - o que custou foi para ganhar dinheiro, mas finalmente ele consegue,  em 43 um emprego como crooner do Cassino do Copacabana Palece Hotel, após o estrondoso sucesso de Renúncia, de Roberto Martins e Mário Rossi.
O sucesso só aumentou, separado, casou-se em 1952 com Lourdinha Bittencourt, a segunda substituta de Dalva de Oliveira no Trio de Ouro. E é nesse mesmo ano que conhece seu maior parceiro: Adelino Moreira. De 1958 a 1966 inicia-se seu declínio pelas drogas - cheirava cocaína todos os dias. Em 1959 Lourdinha o abandona - em seguida ele é preso por porte de drogas. Casa-se em 65 com Dona Maria Luiza da Silva Ramos, na época sua secretária, e com a ajuda dela decide abandonar as drogas e retornar a sua carreira. Sem gravar desde 1968, finalmente a RCA o chama para gravar um disco em 1971. Daí pra frente Nelson foi juntando seus pedaços, se reestruturando, retomando o respeito de seu público. Nos anos 80 gravou com a nova geração da MPB e nos anos 90 com diversos grandes nomes do rock nacional. Morreu em 18 de abril de 1998.

A verdadeira história de Arlequim.
Arlequim era dono dos sentimentos mais puros e sinceros.
Apaixonado por Elisa - a menina dos seus sonhos - vivia pelos cantos,triste,pensando numa maneira de conquistar a garota que se tornara seu grande amor.Elisa,por sua vez,era apaixonada por Ramon e fez de Arlequim um grande bobo da corte,ela desprezava todo e qualquer sentimento que viesse do rapaz de olhar sincero e palavras apaixonadas.Arlequim sofreu muito ao ver seu amor,seu grande e único amor,ir embora com outro.Sofreu tanto que prometeu que daquele dia em diante ele seria "o outro",deixou a merda do sentimentalismo de lado e se entregou ao prazer.Colecionava paixões como colecionava livros,afinal,paixão ou livro,tudo era igual perante um Arlequim de coração machucado.
Ele saia com uma mulher curtia uma paixão,intensa e momentânea,depois a descartava,e a mesma se tornara mais uma na sua estante,como os livros que ele já conhecia a história. Quantos corações ele já destruiu? Muitos!Até ele perdeu a conta.
Arlequim ,o grande e indomável Arlequim,o colecionador de mulheres,prometeu que nunca mais se apaixonaria,que jamais entregaria seu coração a mulher alguma,não iria amar ninguém,ninguém era merecedor do amor que trazia consigo.
Ah,meu querido Arlequim,você devia saber que promessas nunca são cumpridas.
Por uma ironia do destino (ou não),Arlequim conheceu Colombina.Ele a amava,e sabia que ela o queria também,ela havia se tornado o motivo pra volta do olhar sincero e palavras de amor.Colombina sentiu o mesmo ao ver Arlequim,mas tinha o Pierrot,seu doce e romântico Pierrot.
Só Colombina sabe o quanto desejou unir os dois,o quanto implorou para que os dois fosse uma só pessoa.Ela era apaixonada pela alma de Pierrot,pelo olhar distante e a vida de sonhador que trazia com ele,mas se encantara com o prazer que sentia na presença de Arlequim,com a felicidade e alegria que contagiava o ambiente onde esse se encontrava.
Arlequim não queria perder a oportunidade de ser feliz,Colombina era a mulher de alma pura,merecedora - a única - de seus sentimentos puros;ele não podia voltar atrás em duas promessas que havia feito,já tinha quebrado a primeira,a de não se apaixonar.
É,Pierrot sofreu muito ao ver seu amor ir embora com outro,ao ver Colombina ir embora com Arlequim,mas ele - Arlequim - prometera ser o outro e nessa promessa ele não voltou atrás,era vez dele de ser feliz,a vez dele de ter em seus braços a mulher de seus sonhos.
Por isso Pierrot,meu doce e romântico Pierrot,não culpe Arlequim por tirar Colombina de seus braços,de transformar seus dias em noites de tempestade,a culpa não foi dele,ele só foi atrás da felicidade que um dia Elisa roubou.

Pierrô,Arlequim e Colombina.
São personagens de um estilo teatral conhecido como Commedia dell’Arte, nascido na Itália do século XVI. Integrantes de uma trama cheia de sátira social, os três papéis representam serviçais envolvidos em um triângulo amoroso: Pierrô ama Colombina, que ama Arlequim, que, por sua vez, também deseja Colombina. O estilo surgiu como alternativa à chamada Commedia Erudita, de inspiração literária, que apresentava atores falando em latim, naquela época uma língua já inacessível à maioria das pessoas. Assim, a história do trio enamorado sempre foi um autêntico entretenimento popular, de origem influenciada pelas brincadeiras de Carnaval. Apresentadas nas ruas e praças das cidades italianas, as histórias encenadas ironizavam a vida e os costumes dos poderosos de então. Para isso, entravam em cena muitos outros personagens, além dos três mais famosos.
Do lado dos patrões, por exemplo, havia um comerciante extremamente avarento (chamado Pantaleão), um intelectual pomposo (o Doutor) e um oficial covarde, mas metido a valentão (o Capitão). Outros personagens típicos eram o casal Isabella e Orácio (em geral, filhos de patrões) e outros serviçais. Apesar de obedecerem a um enredo predefinido, as peças tinham a improvisação como ingrediente principal, exigindo grande disciplina e talento cômico dos atores, que precisavam responder rapidamente às novas piadas e situações criadas pelo colegas.
"Até hoje, a Commedia dell’Arte é um método de grande riqueza para o aprendizado e o treinamento do ator", afirma a atriz Tiche Vianna, formada pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP), com especialização em Commedia dell’Arte pela Universidade de Bolonha e Florença, na Itália. Um detalhe interessante é que sempre havia, no meio do espetáculo, um intervalo chamado lazzo, que podia ter mais comédia, apresentar acrobacias ou sátiras políticas sem qualquer relação com o enredo. Terminado o lazzo, a história continuava do ponto em que havia sido interrompida. Com esse estilo único, a Commedia dell’Arte influenciou a arte dramática de toda a Europa.