terça-feira, 23 de agosto de 2016

IPU!
Ipu nasceu às margens do riacho Ipuçaba, cuja nascente fica no sítio São Paulo, neste Município. No seu percurso forma no rochedo da Ibiapaba a linfa cor de Prata chamada Bica do Ipu, se desprendendo de uma altitude de 120 metros formando na sua queda a imagem de um verdadeiro “Véu de Noiva” como diz a canção de Zezé do Vale. Nas imediações do Riacho se formaram plantios de cana-de-açúcar, bananeiras e outros.
O pequeno córrego inspirou muitos de nossos poetas. IPU está localizada em partes de 20 léguas de terra doadas à D. Joana de Paula Vieira Mimosa pelas Cortes Portuguesas de Lisboa em 1694.
D. Joana era missionária Portuguesa que aqui chegou para dar inicio a nossa civilização era esposa de João Alves Fontes muito enérgica e habilidosa colonizou suas propriedades contribuindo para a catequese dos Índios. Os Índios eram os Tabajaras, o nosso primitivo que aqui viveu dando origem à lenda de IRACEMA de José de Alencar.
Ipu, berço de Iracema, terra de Martim e Araquém, tem sua civilização pautada nos costumes indígenas. Os Tabajaras sobreviviam fazendo roçados e neles plantavam o cará, o inhame, o abacaxi, milho, mandioca e outras culturas que se adaptassem a fertilidade do solo.
Construíram também casinhas ou casinholas a margem do Ipuçaba que com o passar do tempo foram substituídas por outras.
Em 1740 já havia o ARRAIAL, com pequenas casas de taipa sendo o seu piso de chão de barro batido, construídas com o auxilio de alguns Portugueses e Pernambucanos que aqui aportaram. Chegaram vindos da Vila Real de Viçosa alguns clérigos que continuaram o trabalho de catequese iniciado por D. Joana de Paula Vieira Mimosa. Em seguida vieram outros Padres Jesuítas e construíram uma Capela pequena edificada em 1765 em torno do atual Quadro da Igrejinha onde foi iniciado o Povoado que passou a ser conhecido e chamado de PAPO, seguido por uma Rua estreita que passamos a chamar de Goela, ainda hoje a pequena Rua apesar de ter possuído vários nomes como Rua Senador Catunda, homenagem a um Senador de República que aqui residiu.
A Rua mudou de nome outra vez para Rua Cel. Pedro Aragão que permanece até os nossos dias, contudo a pequena ruazinha onde nasceu Milton Dias, famoso cronista conhecido nacionalmente pelas suas crônicas, continua chamada por todos nós de Rua da Goela.
No Hino do Sesquicentenário de Ipu, letra do Professor Antônio Ramos e música do Professor Francisco Melo, num trecho do Hino, por sinal muito suave e poético dizem “O Ipu Ave Meiga em Voo Sereno”, ficou bonito e gostoso de cantar, pois retrata a forma de um pássaro que Ipu teve na formação de sua toponímia.
Por Alvará ou Carta Régia, de 12 de maio de 1791, foi criado o município com sua primeira sede com o nome de Povoação de Campo Grande, depois elevado a categoria de Vila que se chamou de Vila Nova d’El-Rei hoje cidade de Guaraciaba do Norte. Ipu quando foi elevada a Vila, tomou a mesma denominação de sua sede Vila Nova d’El-Rei, mas mesmo assim, o povo continuou chamando de “Vila dos Enredos”, em face das constantes intrigas existentes naquele tempo. Tudo isso aconteceu em torno da Igrejinha, onde ficou consolidada a VILA.
Com a criação da Lei Provincial de nº 200 de 26 de agosto de 1840, ficou suprimida a Vila de Campo Grande transferindo a sede do município para Núcleo de Ipu Grande, com o nome de VILA NOVA DE IPU GRANDE.
Lei nº 200, de 26 de agosto de 1840 sancionada pelo Presidente Francisco de Sousa Aguiar.
Art. 1º – Fica transferida de Vila Nova d’El-Rei para povoação de Ipu Grande no mesmo município, com a denominação de Vila Nova do Ipu Grande.
Art. 2º – A Matriz de São Gonçalo da Serra dos Cocos será igualmente transferida para Capela de São Sebastião do Ipu Grande, quando esta estiver em estado de nela celebrarem decentemente os ofícios divinos.
Art. 3º- Ficam revogadas quaisquer leis e disposições em contrario.
A Vila denominada por Lei, Vila Nova do Ipu Grande conservava a ingenuidade de uma época que em torno da Igrejinha o vilarejo foi tomando consistência. Mais tarde, em face da Lei de nº 432, de 31.08.1848 o Ipu Grande se tornou simplesmente IPU.
A origem do vocábulo Ipu tem varias conceituações mesmo porque a nossa Língua oferece opções outras para que chegássemos até a palavra IPU.
Vejamos:
Qualidade de terra fértil que forma grandes coroas ou ilhas em terras procuradas para a cultura. (José de Alencar)
Vem de IPOHU ou IPOÇU, alagadiço, sumidouro d’água (Dr. Paulino Nogueira).
Se o nome da cidade deriva de um salto, seria ITU, e não IPU (Pompeu Sobrinho).
No Ceará chama-se Ipu, a pequena lagoa de águas pouco profundas, que seca no verão.
O índio chamava YPU, a fonte, o olho d’água.
A opinião predominante em relação à palavra Ipu, conhecida pelo ipuense de ontem e de hoje, é a de Dr. Eusébio de Sousa:- a denominação desse vocábulo nasceu da admiração que faziam os indígenas da queda que davam as águas do cimo da montanha, grafado assim em língua TUPI: IG: água, e PU, queda, palavra ONOMATOPAICA que quer dizer-QUEDA D’ÁGUA.
IPU, de Vila, foi elevada à categoria de cidade conforme reza a Lei nº 2.098, de 25 de novembro de 1885.
O desembargador Miguel Calmon du Pin e Almeida Presidente da Província do Ceará etc.
“Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembleia Legislativa Provincial decretou e eu sanciono a lei seguinte”:
Art. 1º – Fica elevada a VILLA do IPU a categoria de CIDADE.
Art. 2º Revogam-se as disposições em contrario.
Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nela se contém.
O secretário desta província a faça imprimir, publicar e correr.
1885 sexagésimo quarto da Independência do Brasil do Império.
Miguel Calmon du Pin e Almeida
Os seus primeiros edificadores deram como já dissemos a configuração de um pássaro, o bico fica no fim da Rua, goela o inicio da artéria e o papo o Quadro da Igrejinha propriamente dito.
O Município de Ipu limita-se ao Norte com Reriutaba e Pires Ferreira; ao Sul com a cidade de Ipueiras; a Leste com Hidrolândia; a Oeste, com Guaraciaba do Norte e Croata.
O Município está dentro da Mesorregião do Noroeste Cearense, portanto localizado na Microrregião do Ipu que engloba os seguintes municípios: Ipu, Ipueiras, Pires Ferreira, Poranga, Reriutaba e Varjota. Fica também, na Zona Fisiográfica de Sobral, tendo como sede à cidade de Ipu, a 247,20 m de altitude, as suas coordenadas geográficas estão assim distribuídas: Latitude 4° 19’ 20’’ S; Latitude 40° 42’ 39’’ W. Situa-se ao pé da Cordilheira da Ibiapaba, às margens do ribeirão Ipuçaba, com suas ruas amplas e arborizadas. Dista da capital do Estado pela rodovia da Fé 288 km. Os naturais do Ipu são chamados de ipuenses.
O Clima é semiárido quente; a oeste na zona serrana tem clima fresco atenuado pela altitude. A temperatura do ano inteiro varia de 24ºC a 34ºC.
Orografia: A Ibiapaba margeia o município de norte a sul. Na área sertaneja encontram-se os serrotes Flores e Fuzil.
População estimada em: 48.000 Habitantes. Crescimento Geométrico: 2,62% IBE – 2013.
Distritos, Ipu (sede), Abílio Martins, Flores e Várzea do Jiló, Ingazeira e Recanto. A cidade do Ipu é de belo aspecto, surpreendendo quem a visita à procura de novas sensações. Regularmente edificada, destaca-se pela sua pitoresca paisagem localizada no sopé da famosa Ibiapaba, tornando-se, portanto, a mais próxima de quantas outras das cidades estão encravadas em suas imediações. Em todo seu perímetro urbano conta atualmente com 213 ruas (ano de 2006) bem delineadas, quase todas calçamentadas, asfaltadas e arborizadas e com praças ajardinadas.
A maior curiosidade do município, na opinião do saudoso historiador Antônio Bezerra, é indubitavelmente a Bica, jorro d’água que se precipita de uma altura de 120 metros, em um sítio magnífico a dois quilômetros a sudoeste da cidade.
”De longe parece larga fita de prata, caída por sobre o verde “gaio” das árvores, ondulando suavemente ao efeito da luz do sol e expelindo as mais agradáveis irradiações”.
Rios, açudes e lagoas: os rios Acaraú e Jatobá são os únicos do município; há vários riachos, com destaque especial para o Ipuçaba que forma a nossa deslumbrante Bica. Além dos açudes São Bento, Bonito, Barrinha, Cipó e outros. Boa parte da represa do Açude Araras pertence ao nosso município. Existem as lagoas Arroz, Fuzil, João Lobo, Curicaca, Malhada Vermelha, Santa Rosa e Veados.
Ipu está dividida em duas zonas: serrana e sertaneja, ambas se prestam à agricultura e a pecuária.
Nas zonas agrícolas, os plantios mais explorados são os cereais: algodão, mandioca, cana-de-açúcar, milho, feijão. Hoje na zona serrana há uma produção uma boa produção de hortaliças, especialmente o tomate.
Nos pastoris, toda espécie de criação é aclimatada na região.
No teu rochedo azulado parece haver sido talhado a capricho, pois a concavidade do mesmo oferece a formação de uma chuva constante ininterrupta dia e noite banhando a vegetação verdejante que fica no sopé da serra.
E é nestas paragens do sertão que a morena virgem dos lábios de mel, Iracema, cujo corpo lindo e deslumbrado se banhava no orvalho da noite. Foi plaga da grande nação Tabajara, tribo guerreira que perlustrou vales e socalcos vadeando rios regatos, pelejando contra os invasores brancos até ao raiar da paz que Martim Soares Moreno, o bravo fidalgo, ofertou em troca do grande amor que a lenda registra com fervor e devoção. Povo feliz o ipuense, ainda guarda e com enlevo o lindo episódio ocorrido na cabana de Araquém, pai de Iracema, quando
viu sua filha quebrar a flecha da paz guerreira e beijar a testa do forasteiro que aprendera amar a mulher como símbolo vivo de ternura e afeto.
Ipu! Pátria de personalidades que marcaram a nossa história. Anderson Magalhães, Osvaldo Araújo, Francisco Lourenço Araújo, Abdias Martins, Abdoral Timbó, Edgard Corrêa e o saudoso Mons. Gonçalo de Oliveira Lima, entre muitos outros mais ouros.
Ipu! Pátria de grandes músicos. Não podemos deixar de citar aqui os nossos arquétipos musicais como: Thomaz de Aquino Corrêa, Raimundo e Zezé do Vale, Valderez Soares, Wilson Lopes, Alencar Soares, e outros ipuenses de coração que aqui citamos. Professor João Barreto dos Santos, Pedro Teles Pinheiro, Mestre João Louro, Mestre Marçal; e ressaltamos ainda Maestros Lázaro Freire, falecido há alguns poucos anos Jorge Nobre e Jairo Leitão, estes últimos personalidades marcantes de nossa música atual.
Zezé do Vale em feliz momento de inspiração compôs a Valsa “Passada do Meu Ipu”, que hoje cantamos como hino, não esquecendo a sua música em parceria Prof. Antônio Gondim de Lima, do conservatório de música Alberto Nepomuceno - IPU UM PEDACINHO que diz assim:
IPU UM PEDACINHO DO CÉU
O Ipu é uma cidade
Como a gente nunca viu
É um é pedacinho do céu
Que se desprendeu e caiu.
O doce de lá é mais doce
A fruta é mais saborosa
A mulher é a mais bonita
E a flor é mais cheirosa.
Tudo lá é diferente
Das cidades que eu conheço
Eu indo mora no céu
Do Ipu, eu não esqueço.
A cidade é muito boa
A região muito rica
Quem bebe água da Bica
Perde a cabeça e aqui fica.
OBRIGADO.
Francisco de Assis Martins (Prof. Mello)
Ontem 22 de agosto de 2015, na Academia de Letras Ciências e Artes - AILCA.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

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SAUDAÇÃO A SÃO SEBASTIÃO
Caros presentes, peço licença
Para cantar neste festivo dia
Ao Santo Mártir, um hino entoar
E aqui louva-lo com muita alegria
A minha musa treme acanhada
Só um receio de aqui versejar
Pela grandeza, pelo esplendor
Do belo nome que vou cantar.
Se eu pudesse desencravar
Todas estrelas no céu a brilhar
Eu formaria um diadema
Para São Sebastião coroar
Como não posso isto fazer
Eu lhe reservo no meu coração
Uma grinalda feita de preces
Ao glorioso São Sebastião
Pois lá no céu junto a Maria
Na Patroa santa e eterna do riso
Os anjos lhe tecem uma coroa
Comas lindas rosas lá no paraíso
E aclamando no mundo inteiro
Nosso querido são Sebastião
É aclamar os seus devotos
O’ salve Ipu da fé e da oração.


Francisco De Asis Assis22 de agosto de 2013 às 11:38Ipu, Ceará
ÍNDIA IRACEMA
Letra e Música: Cezanildo Lima
Na sombra fagueira de enorme oiticica
Coberta de flores ao sol matutino
A ÍNDIA IRACEMA – rainha dos campos
Cantava com as aves concerto divino
Refrão
O bosque era lindo, tão longe da virgem
Estava o guerreiro parado indeciso
A flecha da Índia ferira o guerreiro,
E nele nos lábios pairava um sorriso.
E muito sentindo morena selvagem
O arco e a flecha ligeiro quebrou
O jovem dizia palavras amenas
E a ÍNDIA IRACEMA venturas sonhou
Se me deres abrigo em tua cabana
Serás sempre à jovem por mim adorada
Verás em meu estro surgir delirante
Canção maviosa por ti inspirada.
Depois deste encontro, qual foi o primeiro
Cantava os dois jovens, o amor o poema
A ÍNDIA formosa beijava o guerreiro
E a arara entre os galhos gritava IRACEMA



domingo, 21 de agosto de 2016

Praça 26 de agosto.



Aproxima-se o 26 de agosto de 1940. Reuniões, comentários, sugestões e por fim os acertos para comemorar o 1º Centenário de Emancipação Política do Município de Ipu.

Era Prefeito Municipal de Ipu, Dr. Francisco das Chagas Pinto da Silveira.

Teve uma programação muito especial às comemorações que marcaram os 100 Anos de Emancipação Política de Ipu, todas realizadas com muitas pompas e entusiasmo. Consta na programação o seguinte:

Às 6 horas:- Hasteamento da Bandeira Nacional no Paço Municipal:
Presença dos alunos da Escola Pública e do “Educandário Ipuense”.

Às 7 horas:- Missa solene em ação de graças, na Igreja Matriz, celebrada pelo sacerdote virtuoso e ipuense, Pe. Antonino Cordeiro Soares, vigário de Campo Grande hoje Guaraciaba do Norte.

Às 8 horas:- Inauguração do Jardim de 26 de Agosto e do monumento comemorativo do centenário, com a presença do Sr. Prefeito Municipal de Ipu, Dr. Francisco das Chagas Pinto da Silveira, Dr. Edgard Miranda de Paula Pessoa, Juiz de Direito, representante do Instituto Histórico do Ceará, Dr. Eusébio Néri Alves de Sousa, dos Srs. Prefeitos de Campo Grande, São Benedito, Crateús e Massapé, Dr. Valença Junior do Serviço de Peste, Dr. Ubaldino Souto Maior, ex-Juiz de Direito da Comarca de Ipu, Comerciantes e Sociedade em Geral.

Em seguida foi lido o Decreto que criou o Logradouro e Monumento que até hoje chamamos de Estátua da Liberdade.
Fincada no centro da praça para marcar a nossa emancipação, política administrativa, liberdade, portanto sonhada é feita realidade.

Art. 1º Do Decreto:- fica denominado “JARDIM 26 DE AGOSTO” o logradouro público construído pela Prefeitura na Praça Cel. José Liberato.

Art. 2º – Revogam-se as disposições em contrário ao presente decreto, que entrará em vigor na data de sua publicação. Prefeitura Municipal de Ipu, 26 de agosto de 1940. (assinado)
Dr. Francisco das Chagas Pinto da Silveira - Prefeito Municipal.

O Jardim se compõe de uma Estátua (simbólica) da Liberdade erigida no centro do Jardim, apoiada sob um pedestal de granito, no qual figuram duas placas de motivos indígenas e regionais e duas outras com inscrição na integra da lei de nº 200, de 26 de agosto de 1840.

A Avenida se completa além da estátua da Liberdade de Bancos caracteristicamente toscos meio quadrados nunca visto por este escriba em outros logradouros. Rodeado por postes de médio porte trabalhado em concavidades formando na sua parte superior ou no seu capitel um globo leitoso que ofuscava ternamente nas amenas noites do Ipu.

Ainda como parte da programação às 15 horas aconteceu uma sessão lítero musical no Paço Municipal onde estiveram presentes as seguintes autoridades:
Os Srs. Prefeito Municipal, Dr. Chagas Pinto, Dr. Edgard Pessoa, Dr. Eusébio de Sousa, Padre Antonino Cordeiro Soares, Dr. Raimundo Justo Ribeiro, e José Osvaldo Araújo que ocuparam e compuseram a mesa principal.

Estiveram ainda presentes: Elísio Aguiar, Agripino Soares, Francisco Felizola, Abdoral Timbó, Manoel Bessa Guimarães, Timóteo Chaves, Dr.Thomaz Corrêa Aragão e outros tantos. Vários oradores foram ouvidos em seus discursos, o “Canto Orfeônico” apresentou duas canções do nosso cancioneiro popular e com a palavra facultada usou da mesma o Escritor, Historiador e Poeta Osvaldo Araújo que nos finais do seu pronunciamento, pediu um minuto de silencio pelos ipuenses que já haviam partido para eternidade e depois de um Viva vibrante pelo Presidente dos trabalhos foi em seguido cantando por todos os presentes o Hino Nacional Brasileiro, ficando assim encerrada a sessão.

Depois foi lida e aprovada a Ata redigida por Osvaldo Araújo e assinada em seguida pelas seguintes pessoas: Dr. Chagas Pinto, Pe. Antonio Cordeiro Soares, Raimundo Justo Ribeiro, Dr. Eusébio de Sousa, José Osvaldo Araújo, Manoel Bessa Guimarães, Abdoral Timbó, Dr. Thomaz Aragão, Francisco Júlio Filizola, Timóteo Ferreira Chaves, Agripino Soares, Elísio Aguiar, José Maria Sabino, Osório Martins, João Bessa Guimarães, Augusto Passos, José Raimundo de Aragão Filho, Tenente José Pio de Sousa, Francisco Carvalho Aragão, Raimundo da Silva Mourão, Valdir Viana Barbosa, Antonio Teodoro Soares Frota, Heleno Gomes de Matos, João Mozart da Silva, João Alves de Miranda, Alfredo Silvano Gomes, Francisco Corrêa de Castro e Sá, Raimundo Castro Brandão, Odulfo Alves de Carvalho, Francisco Elmiro Martins, Antônio Cícero e Silva, Juvêncio César Tavares, Cesário Pereira Martins, Antonio Rodrigues Martins, Antonio Martins Jorge, Maura Sales Aragão, Raimundo Martins Jorge, José Taumaturgo Furtado, Leocádio Ximenes Aragão, Gonçalo Soares de Oliveira, Joaquim Soares de Paiva, Francisco Soares de Paiva, Antonio Pereira Martins, Murilo Mota Dias, Pedro Felix de Oliveira, Francisco Aragão Xerez, Francisco Victor de Mesquita, Gonçalo Soares Sobrinho, Luiz Belém, Manoel Pinto da Silveira, Inácio Martins Memória, Joaquim Porfírio de Farias, José Soares de Oliveira, Lídia de Aragão Pinto Silveira, Aglaê Osório de Sousa, Anisia Aragão e Silva, Maria Cia Aragão, Marista Santos Aragão, Francisca Iraci Aragão, Carmosinda Xerez Máximo, Maria Vasconcelos Sabino, Antonio Alves de Oliveira, Albertina Pereira de Sousa e José Bessa.

Antes, porém usaram a palavra o Sr. Prefeito Municipal que ressaltou a importância da efeméride e ao mesmo que relembrou os primórdios do Ipu, sua origem a sua evolução até tornara-se independente de Campo Grande hoje Guaraciaba do Norte.

Manoel Bessa Guimarães foi outro orador que enfatizou de maneira brilhante a grandeza da data ao mesmo tempo em que relatou o processo de ensino-aprendizagem que se encontrava em plena ascensão, sendo um destaque em toda Região as nossas Escolas fazendo desta forma uma erradicação substancial no analfabetismo. Priorizou o comércio, a saúde e a cultura como fatores primordiais e indispensáveis ao progresso de uma cidade.

Osvaldo Araújo, em linhas rápidas e eloquência fluente, traçou o perfil de ilustres filhos da terra efetivando em todos os sentimentos de amor a terra e dedicação especial à causa pública de pura notabilidade estabelecida pelos filhos de tão bendito torrão.

A verve, a fluência e criatividade do ipuense são características sem par. Para o primeiro centenário de Ipu Zezé do Vale compôs a extraordinária Valsa que ainda hoje cantamos até mesmo como hino para homenagear a sua terra quando se fez centenária, Passados do Meu Ipu, cantada solenemente pela voz orgulho de Ipu, Wilson Lopes, que extravasou todo sentimento de amor e carinho a sua amada terra, berço seu e de muitos outros que souberam acaricia-la com a maviosidade das canções melodiosas e harmoniosas que ora enfocamos. 
Passados do Meu Ipu é uma louvação das mais abençoadas que encontramos no sentimento de Zezé do Vale com interpretação de Wilson Lopes.
Nos seus versos distinguimos uma Questão do Vestibular da U.F.C. em 1999; é a seguinte: “Tens o Véu de Noiva do Ipuçaba”.

Para documentar toda passagem do aniversário de cem anos do Ipu, foi escrito um documentário que foi chamado de: “ÁLBUM COMEMORATIVO DA PASSAGEM DO 1º CENTENÁRIO DE FUNDAÇÃO DO MUNICÍPIO DE IPU”, contendo além de discursos algumas fotografias de filhos ilustres de Ipu e ressaltando-se com distinção três filhas do Dr. Eusébio de Sousa, ex-Juiz de Direito de Ipu e grande amante da terra que destacou com veemência a história de nossa cidade, um filho adotivo que muito amou a Terra de Iracema e que contribuiu grandemente para divulgação de sua história. Nas suas pesquisas e estudos Ipu realmente é uma palavra Onomatopaica que significa “queda d’água”.
São inúmeras as fotografias contidas no Álbum Centenário de 1940, que aqui ressaltamos algumas: Palacete Iracema, Altar de São Sebastião, Velho Tamarineiro, Praça 26 de Agosto, e muitas outras não faltando à encantadora e distinguida Bica do Ipu.
Na sua capa de autoria do artista Franz Lietz, é uma apoteose a tudo que a Cidade possuiu naquela década. O mapa do município assemelhando-se a uma bota dá uma conotação dos lindes municipais que muito distinguiram Ipu na sua história centenária.
Telegramas dos mais diferentes seguimentos sociais, oriundos do governo do Estado, do Poder Judiciário, da Imprensa de todo Estado do Ceará, Prefeitos da circunvizinhança, o Clero, e Filhos e amigos de Ipu. 


A nossa Praça 26 de Agosto difere muito do nosso Jardim de Iracema, mesmo porque passou a ser frequentada por pessoas que naqueles tempos eram chamadas de segunda classe, coisa que nunca deveria ter acontecido, pois somos iguais e não merecemos isso. Hoje vemos como a sociedade convive abolindo todos os preconceitos que acontecia em tempos que consideramos remotos.

Mas mesmo assim não deixa e nem deixou de existir o lirismo e as costumeiras juras de amor que sempre acontecem com os casais que a freqüentavam, mesmo assim porque hoje apesar de sua reforma considerando a sua estrutura principal não mais os casais apaixonados, é uma Praça que está servindo mais ao feirante que nas noites que antecedem as grandes Feiras Livres do Ipu, ali frequentam como ponto de apoio ou até de descanso. Está revestida de uma grama que tapetou todo seu quadro onde outras plantinhas também florescem e enverdecem a Praça de uma história das mais significativas para a vida Política e Autônoma do nosso Município.
Os oradores que desfilaram e que eloquentemente se manifestaram a respeito da data que se emancipara o fizeram com muito amor a terra e resgataram em suas palavras as figuras ilustres que contribuíram para formação social, educacional, econômica e cultural da terra de Iracema. Não faltando as referencias a forma de Governo que no momento era vivido por todo brasileiro. A estiagem verbaliza cada orador como testemunhos dos cansaços quase latentes de uma vida de sofrimentos experimentado por todos Nordestinos especialmente o Cearense do Ipu.
Sentimos ao recapitular a história que aqui relatamos o empenho e o compromisso de cada filho da terra que acima de tudo visava o seu progresso e desenvolvimento em todos os setores e que até superavam as suas ideias sociológicas.
Um clima de moral e respeito era peculiar a toda família ipuense. Reservas morais se formavam a toda prova no seio da sociedade familiar ipuense. A Praça que marca a nossa emancipação tem um símbolo que teremos que garantir por muito tempo, a LIBERDADE, representada na sua estátua que de mão erguida ostenta a tocha de nossa autonomia respeitada e acatada pela Lei de nº 200 de 26 de agosto de 1840.
As homenagens ao Padroeiro São Sebastião também foram tonificadas no vernáculo dos oradores da festa da independência, que a aquela época (há um século), lança sobre todos que pairam sob os céus ipuense, os influxos divinos e da sua proteção e do seu amparo, até hoje vividos, mesmo quando completamos neste ano de 2005, 165 anos de liberdade cantada nos hinos de vitórias e conquistas no mundo moderno que ora atravessamos, estão aí, na sua Igreja e nos céus de Ipu as suas bênçãos aos filhos de uma terra que tanto lhe ama e lhe Venera – SALVE SÃO SEBASTIÃO – SALVE IPU!



sábado, 20 de agosto de 2016

“UMA RUA CHAMADA SAUDADE”

O jogo sempre foi a paixão, a ruína ou simplesmente a alegria do povo. O jogo do bicho era motivo de grandes discussões numa ruazinha animada no centro da cidade. Ela começa por trás da Igreja Matriz e termina na Praça da Estação. Ela sempre foi habitada por pessoas felizes e honestas. Lá moravam funcionários do Posto de Saúde DNERU, aposentados da Estrada de Ferro e inúmeros fazendeiros abastados. Lembro-me da casa da Deolina, uma costureira afamada que morava com as irmãs, a bela Nenzinha, Totonia e Anita Peres que casou com o meu tio Pretinho. A casa do Chico Lão era um barato, com seus nove filhos bonitos e saudáveis. A rua era uma festa. Como eram divertidas as rodas nas calçadas esperando a passagem do trem ou na hora das novenas. Belos coqueiros enfeitavam o horizonte nas manhãs fagueiras e à noite a lua passeava pelo céu com a sua nudez poética e misteriosa. Havia violões e serestas pelas ruas. Era o Boulevard Pedro II, depois Avenida da Municipalidade e hoje Vereador Francisco das Chagas Farias. No Boulevard morava uma pessoa muito especial, o Sr. Joaquim Dias Martins. Era uma figura inteligente, fina e de família tradicional da cidade. A sua ironia era incomparavelmente cheia de inovações. Era responsável pelos leilões, quermesses e tudo o mais que se passo imaginar em termos de festa e de criatividade. Era prestativo e amigo verdadeiro. Gostava de criar situações interessantes e era um grande contador de “causos” e anedotas. Ele chamava o Boulevard de “Rua do Papoco” porque algumas vezes surgia uma confusão lá pras bandas das casinhas de taipa. Lá moravam a Dulça, a Luça, a Domitila, a Capota, mãe do Peixe, ainda pequenina, o Feitosa e tanta gente boa que ainda mora na minha saudade. Numa coisa os moradores de rua se afinavam. Quase todos alimentavam o sonho de ganhar fortuna jogando no “bicho”. Pela manhã era fácil encontrar rodinhas destrinchando os sonhos de noite para arriscar um palpite. À tardinha era um corre-corre medonho à espera do resultado do jogo. Um emissário fazia plantão no Bar do Zé Procópio para verificar qual o número do bicho que figurava na tabuleta pendurada na parede. Numa bela tarde de maio o jogo estava bastante carregado, mas o resultado estava demorando demais a chegar. Já era quase hora da Procissão e nada. Todos já se dirigiam para a Igreja Matriz e a banda de música já executava os dobrados saudosos no patamar. As filhas de Maria já formavam a ala principal levando o andor da Virgem Maria. No meio da fila estavam a Mundoca, a Bastiana e a Cecília. As três quase não rezavam na ânsia de saber qual o bicho do dia, mas a tábua continuava sem novidades. A procissão prosseguia pelas ruas da cidade e ouvia-se o canto forte de Nossa Senhora que emocionava o mundo inteiro: Ave, ave, ave, Maria…
Quando o cortejo passou bem em frente ao Bar do jogo do bicho houve um movimento fora do comum. Finalmente já era conhecido o número em questão. Como as religiosas eram baixinhas só havia um meio de saber o resultado do jogo. Era preciso pedir a ajuda da Mundoca por ser ela a mais alta da turma. E Bastiana plagiou:
Mundoca Farias
Que és mais alta que eu
Olha a tábua do Zé Procópio
E diz o bicho que deu.
Neste momento a Mundoca cantava contrita. Não perdeu a pose. Esticou o pescoço, olhou de rabo de olho e continuou no embalo do hino:
Ave, ave, ave, AVESTRUZ!
Ave, ave, ave, AVESTRUZ